O pacote de renegociação das dívidas rurais em discussão no Congresso Nacional pode atender apenas produtores que tiveram prejuízos provocados por eventos climáticos extremos, como secas e excesso de chuvas. A proposta do governo federal prevê a utilização de recursos do Fundo Social do Pré-sal para financiar a medida, mas a limitação preocupa entidades do setor agropecuário. Segundo o gerente técnico da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás, a FAEG, Edson Novaes, o endividamento dos produtores não foi provocado apenas por problemas climáticos. A queda no preço de commodities, como soja e milho, além do aumento dos custos de produção nos últimos anos, também comprometeram a renda de milhares de produtores, que podem acabar excluídos do programa de renegociação. Além da ampliação do público atendido, a FAEG também defende mudanças nas condições de financiamento. O setor considera elevadas as taxas de juros apresentadas pelo governo e argumenta que o texto aprovado pelo Senado oferece condições mais adequadas para que os produtores consigam quitar as dívidas e manter a atividade no campo.