No Divã na CBN desta quinta-feira (10), Ruth Cavalcanti e Leandro Borges discutem como a ira se diferencia da raiva cotidiana ao se transformar em uma posição subjetiva que orienta a relação do indivíduo com o mundo. Os especialistas explicam que o semelhante desperta identificação, mas também rivalidades imaginárias, frequentemente impulsionadas pelas redes sociais e por uma cultura que estimula a indignação e o conflito constante. Os psicanalistas apontam que a civilização mantém uma camada muito frágil de contenção sobre os impulsos primitivos e destacam que o ato de odiar e desabafar agressivamente proporciona uma sensação perigosa de satisfação e potência. Para os profissionais, o caminho não consiste em tentar eliminar a agressividade, que parte inerente da natureza humana, mas em simbolizá-la e assumir a responsabilidade pelas próprias atitudes.